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Perdi meu amor na balada: storytelling e planejamento

Perdi meu amor na balada

A campanha tinha tudo para dar certo: uma história bem emotiva e bastante verba. Porém, não é só com isso que se faz uma boa ação nas mídias sociais. A Nokia poderia ter optado por um rumo diferente para “Perdi Meu Amor na Balada”, mas as falhas no planejamento e na concepção do produto comprometeram este caso que poderia ter sido referência de um bom storytelling.

Vamos acompanhar os fatos:

O primeiro vídeo – Parece verídico!

A ação começou com um vídeo, que parecia despretensioso, de um rapaz que procurava o amor que perdeu na balada. Com cerca de 795 mil visualizações no YouTube, este primeiro vídeo conseguiu impactar positivamente, visto que conseguiu mais de 3.750 pessoas que gostaram da peça.

Entretanto, alguns detalhes denunciam a ação. Note a qualidade da imagem e o foco, centralizado em Daniel. A segurança com que ele fala seu texto também é um pouco suspeita, já que um vídeo desse tipo costuma deixar qualquer um super envergonhado!

A página e os anúncios no Facebook – Legal… Mas ele gostou mesmo da Fernanda, né?

Pouco tempo depois de lançar o primeiro vídeo, veio a página no Facebook e os anúncios. Por mais que estivesse apaixonado, o Daniel estava investido uma certa grana para encontrar a Fernanda, não é? A frequência dos anúncios já mostrava que ele não estava para brincadeira!

Guarde bem o fato de existir a página… Mais tarde falaremos sobre ela!

O segundo vídeo – Opa, tá estranho…

A segunda peça da campanha mostra o mesmo rapaz, o Daniel Alcântara, com um buquê de rosas no meio da Rua Oscar Freire (Jardins, SP), procurando pela tal da Fernanda pelas lojas com direito a um hipster trompetista. Ok, isso pareceu bem forçado.

A quantidade de visualizações foi consideravelmente mais baixa: 116 mil e apenas 274 pessoas que clicaram em “Gostei”. Desta vez, a quantidade de insatisfeitos foi bem maior, totalizando 309 “Não gostei”.

O terceiro vídeo – Vixe, é uma cilada!

O vídeo começa com o mesmo tom dos anteriores, porém traz mais explicações de como o Daniel conseguiu o retrato falado da Fernanda e outros detalhes. No meio de tantos pormenores, conhecemos um cara que ficou realmente sensibilizado pelo empenho do rapaz e mostra uma foto que ele tirou com o celular.

*Momentos de tensão!*

Ele dá um zoom absurdo na imgem e consegue ver o número de telefone, que deveria ser o da Fernanda (mas não é…), anotado no guardanapo. Muita sorte, não é? Ô se é! Mas como ele conseguiu tanta qualidade? Ora, este é um Nokia 808 PureView, que tem 41 megapixel e *mais um momento de tensão* roda com Symbian.

A revelação fez com que muita gente se revoltasse e fosse xingar muito na página do Facebook do “Perdi Meu Amor na Balada”. Um número incrível de pessoas realmente acreditou no desespero do Daniel para encontrar a Fernanda. E para piorar tudo, os moderadores da página começaram a deletar esses comentários.

Onde estava o erro?

Tudo começou no planejamento da campanha. As falhas estava, possivelmente, na delimitação do público-alvo e a duração. Em vez de tratar o Brasil inteiro como público-alvo de um smartphone de R$ 2.000, esse planejamento deveria ter segmentado melhor quem estaria realmente interessado.

Outro erro bem grave foi partir do pressuposto que todo mundo que está no Facebook consome campanhas do mesmo jeito de quem usa o Facebook como “ganha pão”, ou seja, os social media. O grande público sequer se preocupa com esse tipo de coisa e, por isso, se sentiu tão enganado.

Nokia 808 PureView - Perdi meu amor na balada

A duração e desenvolvimento da campanha também pode entrar como um erro. Isso porque a inserção da Nokia no meio disso tudo foi muito abrupta. Quem estava esperando pela resolução desse Detetive do Amor ficou profundamente desapontado quando descobriu que não existia Daniel e tampouco a misteriosa Fernanda.

Uma boa solução seria inserir a Nokia de um jeito muito mais sutil, talvez até colocando a marca no papel de “amiga” do rapaz, dizendo que poderia ajudar, pedindo a quem tem um Nokia participar de um jogo através de um aplicativo, ou algo do tipo.

O produto também apresentava seus problemas. Quem está disposto a comprar um celular com Symbian em pleno 2012? Não seria o caso da Nokia passar a desenvolver câmeras de 41 megapixels em vez de um Symbian?

E vocês, o que acharam dessa malfadada campanha? Na sua opinião, a Nokia vai ter grandes prejuízos de imagem? Comente sobre o assunto!

6 comentários em “Perdi meu amor na balada: storytelling e planejamento”

  1. Pingback: Top5 - Mais lidos da semana 16 a 20 de julho - Social41

  2. É, foi-se o tempo em que a comunicação mercadológica (pra não dizer, publicitária…) podia construir a narrativa que bem entendesse achando que estava agradando…

  3. Pingback: Top5 - Mais lidos da semana de 23 a 27 de julho - Social41

  4. Pingback: Monitoramento: Perdi meu amor na balada | Andre Brazoli

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